Começou como operário na indústria metalúrgica, foi líder sindical, esteve envolvido em escândalos políticos e processos judiciais, passou pela prisão e está agora a terminar o terceiro mandato, embora não consecutivo, na Presidência brasileira. A dias de fazer 81 anos, Luiz Inácio Lula da Silva volta à corrida eleitoral e tenta a eleição para um segundo mandato, com a promessa de uma “transformação do Brasil” e da consolidação do trabalho feito nos últimos três anos e meio.Derrotou Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.
Concorre agora, pelo Partido dos Trabalhadores, contra 12 candidatos
oficialmente registados no Tribunal Superior Eleitoral, tendo como
principal adversário o senador Flávio Bolsonaro, filho do anterior
opositor e também ex-presidente.
As sondagens mais recentes indicam que pode haver um empate entre Lula e Bolsonaro, nas eleições de domingo, o que leva a crer que os eleitores brasileiros têm de voltar às urnas numa segunda volta.
O Brasil tem 158,7 milhões de eleitores aptos a votar nas eleições gerais de domingo, o que representa cerca de 74 por cento da população brasileira, atualmente estimada em 213,42 milhões de habitantes. Nas eleições gerais deste ano, os brasileiros irão escolher dois terços dos 81 lugares do Senado, enquanto a Câmara dos Deputados é composta por 513 deputados.Presidente de origens humildes
Nascido a 27 de outubro de 1945, no seio de uma família nordestina pobre, Lula da Silva cresceu com dificuldades financeiras. Migrou com a mãe e os sete irmãos para a zona sudeste do país e, em 1952, para São Paulo, onde o pai já trabalhava para sustentar a família. Como teve de começar a trabalhar ainda criança, só conseguiu concluir o ensino básico.
Teve diferentes trabalhos antes de se tornar operário na indústria metalúrgica e, ainda na adolescência, formou-se como torneiro mecânico e passou a trabalhar nas fábricas do ABC Paulista.
A entrar na vida adulta e a enfrentar o início da ditadura militar no Brasil, dá os primeiros passos enquanto ativista e sindicalista. No final dos anos 1960, aproximou-se do movimento sindical através do irmão mais velho e, aos poucos, foi ganhando projeção entre os trabalhadores metalúrgicos.
Aos 30 anos, continuava a trabalhar na indústria e a ganhar notoriedade, sendo eleito em 1975 presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Liderou grandes greves operárias contra a ditadura militar, tornando-se uma das figuras mais conhecidas dos movimentos sindicais brasileiros e chegando mesmo a ser detido.
Entre o ativismo e o sindicalismo, Lula da Silva começou a carreira política, longe de saber que iria ser um dia eleito presidente da República pelo Partido dos Trabalhadores, que ajudou a fundar.Imininente marca histórica
Lula da Silva está na iminência de se destacar na histórica democrática moderna do Brasil: se vencer as eleições Presidenciais vai tornar-se o primeiro presidente a ter quatro mandatos. Nenhum outro presidente da República teve quatro mandatos eleitos no país.
Há mais um facto curioso: se completar um novo mandato de quatro anos, entre 2027 e 2030, será também o primeiro a acumular 16 anos de Presidência e a ter mais anos a exercer funções executivas. Por isso, uma eleição em 2026 é descrita pelos analistas brasileiros como potencialmente histórica, independentemente do resultado, porque pode consolidar um feito político sem precedente desde a proclamação da República em 1889.
Apesar do longo percurso e de contar já com três mandatos – dois consecutivos e um terceiro quando decidiu voltar a assumir o poder Executivo - , nem sempre saiu vencedor. As primeiras três vezes que se candidatou – em 1989, em 1994 e em 1998 – acabaram em derrota, o que levou Lula da Silva a moderar o discurso em temas económicos e a procurar alianças políticas e empresariais.
As sondagens mais recentes indicam que pode haver um empate entre Lula e Bolsonaro, nas eleições de domingo, o que leva a crer que os eleitores brasileiros têm de voltar às urnas numa segunda volta.
O Brasil tem 158,7 milhões de eleitores aptos a votar nas eleições gerais de domingo, o que representa cerca de 74 por cento da população brasileira, atualmente estimada em 213,42 milhões de habitantes. Nas eleições gerais deste ano, os brasileiros irão escolher dois terços dos 81 lugares do Senado, enquanto a Câmara dos Deputados é composta por 513 deputados.Presidente de origens humildes
Nascido a 27 de outubro de 1945, no seio de uma família nordestina pobre, Lula da Silva cresceu com dificuldades financeiras. Migrou com a mãe e os sete irmãos para a zona sudeste do país e, em 1952, para São Paulo, onde o pai já trabalhava para sustentar a família. Como teve de começar a trabalhar ainda criança, só conseguiu concluir o ensino básico.
Teve diferentes trabalhos antes de se tornar operário na indústria metalúrgica e, ainda na adolescência, formou-se como torneiro mecânico e passou a trabalhar nas fábricas do ABC Paulista.
A entrar na vida adulta e a enfrentar o início da ditadura militar no Brasil, dá os primeiros passos enquanto ativista e sindicalista. No final dos anos 1960, aproximou-se do movimento sindical através do irmão mais velho e, aos poucos, foi ganhando projeção entre os trabalhadores metalúrgicos.
Aos 30 anos, continuava a trabalhar na indústria e a ganhar notoriedade, sendo eleito em 1975 presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Liderou grandes greves operárias contra a ditadura militar, tornando-se uma das figuras mais conhecidas dos movimentos sindicais brasileiros e chegando mesmo a ser detido.
Entre o ativismo e o sindicalismo, Lula da Silva começou a carreira política, longe de saber que iria ser um dia eleito presidente da República pelo Partido dos Trabalhadores, que ajudou a fundar.Imininente marca histórica
Lula da Silva está na iminência de se destacar na histórica democrática moderna do Brasil: se vencer as eleições Presidenciais vai tornar-se o primeiro presidente a ter quatro mandatos. Nenhum outro presidente da República teve quatro mandatos eleitos no país.
Há mais um facto curioso: se completar um novo mandato de quatro anos, entre 2027 e 2030, será também o primeiro a acumular 16 anos de Presidência e a ter mais anos a exercer funções executivas. Por isso, uma eleição em 2026 é descrita pelos analistas brasileiros como potencialmente histórica, independentemente do resultado, porque pode consolidar um feito político sem precedente desde a proclamação da República em 1889.
Apesar do longo percurso e de contar já com três mandatos – dois consecutivos e um terceiro quando decidiu voltar a assumir o poder Executivo - , nem sempre saiu vencedor. As primeiras três vezes que se candidatou – em 1989, em 1994 e em 1998 – acabaram em derrota, o que levou Lula da Silva a moderar o discurso em temas económicos e a procurar alianças políticas e empresariais.
Só em 2002 é que conseguiu ser eleito, com uma campanha marcada pela “Carta ao Povo Brasileiro”, que surgiu como um compromisso económico. Os primeiros dois mandatos, entre 2003 e 2010, destacaram-se pelas políticas sociais que implementou, como a “Fome Zero”, a valorização do salário mínimo e o alargamento do acesso ao Ensino Superior – o que permitiu que milhões de brasileiros saíssem da pobreza, crescesse uma nova classe média e diminuísse o desemprego.
Ainda a meio do primeiro mandato, Lula vê-se envolvido no escândalo do Mensalão, que consistia na compra de apoio parlamentar. Houve vários dirigentes do Partido dos Trabalhadores condenados. Embora o então presidente nunca tenha sido condenado, foi evidente o desgaste político.
Lula da Silva continuou, contudo, a ser uma figura nacional e um líder com influência na ala esquerda da política no Brasil. Apesar dos escândalos e controvérsias, terminou o segundo mandato com taxas de aprovação elevadas. Aliás, em 2010 apoiou a candidatura de Dilma Rousseff, que venceu as eleições e o sucedeu na Presidência.Seguiu-se um período de mais escândalos e processos judiciais.
Com a Operação Lava Jato, em 2014, houve uma ampla investigação por corrupção e o então ex-presidente foi alvo de vários processos judiciais.
O juiz Sérgio Moro condenou Lula da Silva, três anos depois, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Preso em 2018, e durante 580 dias (cerca de um ano e sete meses), ficou impedido de se candidatar nesse ano às eleições Presidenciais.
No ano seguinte, o Supremo Tribunal Federal decide a libertação de Lula da Silva e, em 2021, anula as condenações justificando falta de competência para julgar processos por parte da Vara de Execuções Penais de Curitiba. Livre de qualquer condenação, o ex-presidente de esquerda viu os seus direitos políticos restaurados e regressou ao cenário eleitoral.
Ainda a meio do primeiro mandato, Lula vê-se envolvido no escândalo do Mensalão, que consistia na compra de apoio parlamentar. Houve vários dirigentes do Partido dos Trabalhadores condenados. Embora o então presidente nunca tenha sido condenado, foi evidente o desgaste político.
Lula da Silva continuou, contudo, a ser uma figura nacional e um líder com influência na ala esquerda da política no Brasil. Apesar dos escândalos e controvérsias, terminou o segundo mandato com taxas de aprovação elevadas. Aliás, em 2010 apoiou a candidatura de Dilma Rousseff, que venceu as eleições e o sucedeu na Presidência.Seguiu-se um período de mais escândalos e processos judiciais.
Com a Operação Lava Jato, em 2014, houve uma ampla investigação por corrupção e o então ex-presidente foi alvo de vários processos judiciais.
O juiz Sérgio Moro condenou Lula da Silva, três anos depois, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Preso em 2018, e durante 580 dias (cerca de um ano e sete meses), ficou impedido de se candidatar nesse ano às eleições Presidenciais.
No ano seguinte, o Supremo Tribunal Federal decide a libertação de Lula da Silva e, em 2021, anula as condenações justificando falta de competência para julgar processos por parte da Vara de Execuções Penais de Curitiba. Livre de qualquer condenação, o ex-presidente de esquerda viu os seus direitos políticos restaurados e regressou ao cenário eleitoral.
Reviravolta e terceiro mandato
Depois de derrotar Jair Bolsonaro numa das eleições mais polarizadas da história brasileira, regressou ao Palácio do Planalto com um plano de reconstrução institucional, de recuperação das políticas sociais e da agenda ambiental.
“Voltámos ao governo em 2023 para reconstruir o Estado, retomar políticas públicas, recuperar o crescimento económico, reduzir desigualdades, ampliar a sustentabilidade ambiental, recompor o protagonismo internacional e reconstruir a presença do Brasil no mundo”, lê-se no Programa eleitoral deste ano.
“Tínhamos chegado ao governo vinte anos antes e começámos a mudar o país. Com o golpe de 2016, o Brasil foi jogado para trás. Ao final de 2026, serão quatro anos de recuperação das condições macroeconómicas, recomposição das políticas públicas essenciais, fortalecimento das instituições democráticas e recuperação do papel do Brasil no mundo”.
No atual mandato, o Governo de Lula da Silva implementou mais mudanças no setor social, uma vez que retomou e alargou a mais população os programas sociais que foram reformulados no mandato de Bolsonaro. E, de acordo com os indicadores apresentados pelo Executivo, nos últimos três anos houve redução da pobreza, da extrema pobreza e da insegurança alimentar.
Depois de derrotar Jair Bolsonaro numa das eleições mais polarizadas da história brasileira, regressou ao Palácio do Planalto com um plano de reconstrução institucional, de recuperação das políticas sociais e da agenda ambiental.
“Voltámos ao governo em 2023 para reconstruir o Estado, retomar políticas públicas, recuperar o crescimento económico, reduzir desigualdades, ampliar a sustentabilidade ambiental, recompor o protagonismo internacional e reconstruir a presença do Brasil no mundo”, lê-se no Programa eleitoral deste ano.
“Tínhamos chegado ao governo vinte anos antes e começámos a mudar o país. Com o golpe de 2016, o Brasil foi jogado para trás. Ao final de 2026, serão quatro anos de recuperação das condições macroeconómicas, recomposição das políticas públicas essenciais, fortalecimento das instituições democráticas e recuperação do papel do Brasil no mundo”.
No atual mandato, o Governo de Lula da Silva implementou mais mudanças no setor social, uma vez que retomou e alargou a mais população os programas sociais que foram reformulados no mandato de Bolsonaro. E, de acordo com os indicadores apresentados pelo Executivo, nos últimos três anos houve redução da pobreza, da extrema pobreza e da insegurança alimentar.
Num balanço sobre o mandato, o presidente afirmou que o Brasil saiu de um cenário de disfuncionalidade institucional para um ambiente de funcionamento regular da máquina pública, tendo melhorado em indicadores sociais e económicos. Cerca de 26,5 milhões de pessoas saíram de situação de fome entre 2023 e 2024, quase 8,7 milhões de brasileiros deixaram de estar na pobreza e 3,1 milhões na extrema pobreza.
E numa altura de incerteza geopolítica o Brasil voltou a ter maior presença diplomática internacional neste terceiro mandato de Lula da Silva, reforçando a atuação nos BRICS, a integração sul-americana, as relações com África e os países do Sul Global, além da participação em negociações climáticas internacionais.
Apesar dos avanços apontados pelo Executivo de Lula da Silva, há áreas que continuam a ser consideradas desafios, como a Segurança Pública - a violência e o crime organizado continuam entre as maiores preocupações dos brasileiros e o prometido Ministério da Segurança Pública não foi criado durante este mandato.
A nível da Saúde, as filas do Sistema Único de Saúde diminuíram em alguns locais, mas a promessa de resolver estruturalmente o problema não foi plenamente alcançada. E governo continua a ter dificuldades em equilibrar expansão de gastos sociais e controlo das contas públicas, tema que continua no centro do debate económico.
Lula reconhece, nesta nova candidatura, que “a simples recuperação do passado é insuficiente diante das exigências do futuro e os anseios legítimos da nossa população”.
Eleições de 2026
Se a campanha de 2022 foi a campanha da reconstrução, a de 2026 é a da consolidação social e da segurança pública, com maior ênfase em combate ao crime organizado, redução da jornada de trabalho, regulação das plataformas digitais, Inteligência Artificial na Educação e “reindustrialização” da economia.
O chamado “Programa de Transformação do Brasil” para estas eleições Presidenciais destaca quatro objetivos para continuar e melhorar o trabalho até agora feito pelo Executivo: a redução das desigualdades sociais, o crescimento económico com maior intervenção estratégica do Estado, a transição ecológica e energética e o fortalecimento da democracia e da soberania nacional. O plano apresentado por Lula da Siva não propõe uma mudança de rumo. É, sobretudo, um plano de continuidade e aprofundamento das políticas já iniciadas desde 2023.
“O povo brasileiro sonha e almeja um futuro melhor. A esperança é o que nos move. Sem sonhos, criatividade, desejo de transformação, fé, esperança e trabalho, nada acontece. É com essa força coletiva que o Brasil pode seguir transformando realidades”, lê-se no documento.
Independentemente das opiniões e ideologias políticas, o presidente metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva é considerado uma das figuras mais influentes da história contemporânea do Brasil.
O próprio percurso, que passou de operário metalúrgico nordestino a presidente da República, tornou-se um dos casos mais emblemáticos de ascensão social e política da América Latina.
Ao mesmo tempo, continua a ser uma figura polarizadora: para os apoiantes, é símbolo de inclusão social e mobilidade económica; para os críticos, está associado aos escândalos de corrupção que marcaram os governos do PT e à forte polarização política brasileira.
E numa altura de incerteza geopolítica o Brasil voltou a ter maior presença diplomática internacional neste terceiro mandato de Lula da Silva, reforçando a atuação nos BRICS, a integração sul-americana, as relações com África e os países do Sul Global, além da participação em negociações climáticas internacionais.
Apesar dos avanços apontados pelo Executivo de Lula da Silva, há áreas que continuam a ser consideradas desafios, como a Segurança Pública - a violência e o crime organizado continuam entre as maiores preocupações dos brasileiros e o prometido Ministério da Segurança Pública não foi criado durante este mandato.
A nível da Saúde, as filas do Sistema Único de Saúde diminuíram em alguns locais, mas a promessa de resolver estruturalmente o problema não foi plenamente alcançada. E governo continua a ter dificuldades em equilibrar expansão de gastos sociais e controlo das contas públicas, tema que continua no centro do debate económico.
Lula reconhece, nesta nova candidatura, que “a simples recuperação do passado é insuficiente diante das exigências do futuro e os anseios legítimos da nossa população”.
Eleições de 2026
Se a campanha de 2022 foi a campanha da reconstrução, a de 2026 é a da consolidação social e da segurança pública, com maior ênfase em combate ao crime organizado, redução da jornada de trabalho, regulação das plataformas digitais, Inteligência Artificial na Educação e “reindustrialização” da economia.
O chamado “Programa de Transformação do Brasil” para estas eleições Presidenciais destaca quatro objetivos para continuar e melhorar o trabalho até agora feito pelo Executivo: a redução das desigualdades sociais, o crescimento económico com maior intervenção estratégica do Estado, a transição ecológica e energética e o fortalecimento da democracia e da soberania nacional. O plano apresentado por Lula da Siva não propõe uma mudança de rumo. É, sobretudo, um plano de continuidade e aprofundamento das políticas já iniciadas desde 2023.
“O povo brasileiro sonha e almeja um futuro melhor. A esperança é o que nos move. Sem sonhos, criatividade, desejo de transformação, fé, esperança e trabalho, nada acontece. É com essa força coletiva que o Brasil pode seguir transformando realidades”, lê-se no documento.
Independentemente das opiniões e ideologias políticas, o presidente metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva é considerado uma das figuras mais influentes da história contemporânea do Brasil.
O próprio percurso, que passou de operário metalúrgico nordestino a presidente da República, tornou-se um dos casos mais emblemáticos de ascensão social e política da América Latina.
Ao mesmo tempo, continua a ser uma figura polarizadora: para os apoiantes, é símbolo de inclusão social e mobilidade económica; para os críticos, está associado aos escândalos de corrupção que marcaram os governos do PT e à forte polarização política brasileira.